Pouco se sabe da história do povo maubere antes da chegada dos portugueses no século XVI. Em 1859, Portugal e a Holanda repartiram entre si a ilha de Timor, ficando a parte oriental para os lusitanos, segundo um acordo ratificado apenas em 1904. A população local tem uma tradição de resistência a soberanias estranhas, provocando insurreições armadas em 1719, nas localidades de Cová, Cotubaba e Covalima; em 1895, em Manu Fahi, e uma revolta em 1959 que, como as restantes, foram afogadas em sangue. Aliás, a resistência passiva permitiu que sobrevivessem, até hoje, os valores culturais, apesar de toda a influência desnacionalizante de cinco séculos de presença colonial. As florestas de madeiras preciosas, como o sândalo, foram arrasadas nos primeiros anos e logo substituídas pelo cultivo do café, no qual se baseia hoje a economia.
Superando o isolamento causado pela distância e pela repressão, em meados da década de 60 começaram a chegar a Timor as primeiras notícias da luta dos movimentos de libertação nas colónias portuguesas em África. Estudantes timorenses iniciam, em Lisboa, contactos com o PAIGC, o MPLA, e a FRELIMO, assimilando as experiências destas organizações para adaptar à sua realidade. Quando se dá a Revolução dos Cravos, em Portugal, a 25 de Abril de 1974, os patriotas aproveitaram as condições políticas criadas pela queda do regime para se organizarem na Associação Social-Democrática de Timor Leste (ASDT). O governo português prometeu a independência, mas surgiram de imediato dois grupos oportunistas, a União Democrática Timorense, organizada para apoiar a tese neocolonialista de uma "federação" com Portugal, e a Associação Popular Democrática Timorense (APODETI) que propunha a integração na Indonésia. Perante este desafio, a ASDT respondeu aprofundando as suas definições e transformando-se, a 10 de Setembro de 1974, na Frente Revolucionária de Timor Leste Independente (FRETILIN). Inicia-se um período de disputa entre os interesses portugueses, as intensões indonésias de anexação e os independentistas. Em Agosto de 1975, a UDT tenta um golpe de Estado, contra o qual, a 15 do mesmo mês, a FRETILIN proclama a insurreição geral armada. As unidades do exército colonial em Timor colocam-se sob as ordens do Comité Central da Frente de Libertação, a administração portuguesa abandona o país e, já controlando todo o território, a 28 de Novembro de 1975 a FRETILIN declara a independência, criando a República Democrática de Timor Leste.
Dez dias depois, a 7 de Dezembro de 1975, a Indonésia invade o território. Poucas horas antes o presidente norte-americano Gerald Ford tinha visitado Jacarta, onde seguramente aprovou o plano expansionista de Suharto. A FRETILIN viu-se obrigada a retirar da capital, Dili, e dos portos mais importantes, que foram submetidos a intenso bombardeamento. Manteve até meados de 1979 o controlo de 85% do território do país, onde vive mais de 90% da população, que organiza para a luta, a produção e o estudo.
Entretanto, a 2 de Junho de 1976, uma chamada "Assembleia do Povo", constituida por membros da UDT e APODETI, aprovou a conversão do país em província da indonésia. Esta anexação não foi reconhecida pelo Comité de Descolonização das Nações Unidas, para o qual Portugal continuará a ser a potência administrante. A República Democrática de Timor Leste, por seu lado, mantém já relações diplomáticas com quinze países, e, em simultâneo com a luta no interior do país, desenvolve um intenso trabalho político no exterior.
Especialmente desde 1980, a Diocese de Dili tem denunciado o genocídeo e a fome criados pela ocupação estrangeira. As homilias e declarações de Mons. Martinho Lopes, Administrador Apostólico da
Diocese, têm grande audiência interna e externa. Face à reorganização e crescente agressividadde das Falintil, o exército indonésio conduziu durante a época seca de 1981 nova operação de cerco e aniquilamento que saldou por um rotundo fracasso. 1982 caracteriza-se por uma contra-ofensiva da FRETILIN em todo o país com ocupações temporárias de várias vias. Xanana Gusmão, comandante em chefe das Falintil e Comissário político Nacional encabeça o Concelho Revolucionário da Resistência Nacional.
A ocupação de Timor Leste consta, desde Dezembro de 1975, da agenda da Assembleia Geral da ONU com sistemáticas condenações até hoje. No entanto, os termos das moções vêm sendo atenuados à medida que aumentam as abstenções e diminuem os votos favoráveis. Portugal, caracterizado como estado administrante, deixou perder sucessivas oportunidades de intervenção enquanto a diplomacia indonésia tudo tem feito para que a questão seja apagada da agenda da Assembleia Geral da ONU e da sua Comissão de Descolonização (4ª). Apesar dessa tendência, em Agosto de 82, uma Subcomissão (de peritos) da Comissão dos Direitos Humanos (3ª) elabora uma resolução que vem a ser aprovada, embora por estreita margem, na Comissão reunida em Fevereiro de 83, garantindo a sua inclusão, agora, em duas Comissões. A intervenção de organizações católicas muito próximas do Vaticano (Pax Romana e Pax Christi) é mais um dado revelador das potencialidades de desenvolvimento que a questão contém em diversas áreas e sectores da opinião e intervenção internacional.
Três semanas depois, as eleições gerais dão vitória ao Partido Trabalhista Australiano que, contrariamente
ao seu antecessor (Liberal) no poder, tem tomado posições pela autodeterminação e independência de Timor Leste. Simultaneamente, e enquadrando a Cimeira dos Não-Alinhados em Nova Deli, Xanana Gusmão anuncia em fins de Fevereiro uma grande ofensiva envolvendo 2500 guerrilheiros que ocupam temporariamente a diversas vilas e aldeias em todo o país.
A revolução de 25 de Abril de 1974 que fez cair o regime em Portugal, abrindo as portas simultâneamente à democracia e à auto-determinação e independência para as suas antigas colónias. E 1974 e 1975 são criados partidos politicos em Timor. Os dois partidos mais populares eram a União Democrática Timorense (UDT) e a Frente Revolucionária para a Independência de Timor Leste (FRETILIM). Apenas a Associação Popular Democrática Timorense (APODETI) - que era financiada pela Indonésia e nunca teve mais de trezentos apoiantes - era a favor da integração na Indonésia. Em 14 de Novembro de 1974 o novo governo, chegado a Timor, inicia-se um trabalho sistamático de descolonização, preparando o território para uma auto-determinação a curto prazo.
Apesar de dificuldades e problemas, as medidas tendentes à descolonização vão-se concretizando, nomeadamente nas áreas da administração local e do ensino. Em 11 de Junho de 1975 é promulgada a lei 7/75 que previa a eleição, em Outubro do mesmo ano, de uma Assembleia Popular de Timor para definir o seu futuro estatuto politico.
As medidas tendentes a criar um clima de serenidade e moderação são muito mal vistas pelas autoridades indonésias que as criticam duramente.
A INDONÉSIA OBTÉM O APOIO AUSTRALIANO E AMERICANO PARA ABSORVER TIMOR
Em 6 de Setembro de 1974, o general Suharto recebe o apoio da Austrália, por intermédio do primeiro-ministro australiano
Gough Whitlan, para prosseguir a politica de anexação de Timor- Leste. Washington, por seu lado, apoia discretamente a Indonésia e espera que esta, ao invadir Timor-Leste, o faça com eficácia, rapidamente e que não utilize o nosso equipamento - palavras do seu diplomata em Camberra. As tropas indonésias
utilizaram armas americanas e a repressão foi ampla, prolongada e sangrenta. As razões que levaram a que os EUA e a Austrália apoiassem a invasão de Timor-Leste são no essencial:
- Razões geostratégicas, relacionadas com a importância geográfica da Indonésia para os EUA, para a Austrália e para o mundo ocidental, em geral;
- Interesses económicos relacionados com a enorme riqueza petrolífera do mar de Timor;
Necessidades internas do regime indonésio para dar uma lição aos movimentos autonomistas que surgiam em várias ilhas da região.Contando com o apoio expresso da Austrália e a conivência dos EUA, a Indonésia avançou com o seu plano anexionista.
Fontes:http://www3.dsi.uminho.pt /
http://www.dei.uc.pt/~infopor/timor/historia.html
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