Saturday, March 16, 2013


nau.gif (14343 bytes)   Pouco se sabe da história do povo maubere antes da chegada dos portugueses no século XVI. Em 1859, Portugal e a Holanda repartiram entre si a ilha de Timor, ficando a parte oriental para os lusitanos, segundo um acordo ratificado apenas em 1904. A população local tem uma tradição de resistência a soberanias estranhas, provocando insurreições armadas em 1719, nas localidades de Cová, Cotubaba e Covalima; em 1895, em Manu Fahi, e uma revolta em 1959 que, como as restantes, foram afogadas em sangue. Aliás, a resistência passiva permitiu que sobrevivessem, até hoje, os valores culturais, apesar de toda a influência desnacionalizante de cinco séculos de presença colonial. As florestas de madeiras preciosas, como o sândalo, foram arrasadas nos primeiros anos e logo substituídas pelo cultivo do café, no qual se baseia hoje a economia.
aprohi1.jpg (8753 bytes)Superando o isolamento causado pela distância e pela repressão, em meados da década de 60 começaram a chegar a Timor as primeiras notícias da luta dos movimentos de libertação nas colónias portuguesas em África. Estudantes timorenses iniciam, em Lisboa, contactos com o PAIGC, o MPLA, e a FRELIMO, assimilando as experiências destas organizações para adaptar à sua realidade. Quando se dá a Revolução dos Cravos, em Portugal, a 25 de Abril de 1974, os patriotas aproveitaram as condições políticas criadas pela queda do regime para se organizarem na Associação Social-Democrática de Timor Leste (ASDT). O governo português prometeu a independência, mas surgiram de imediato dois grupos oportunistas, a União Democrática Timorense, organizada para apoiar a tese neocolonialista de uma "federação" com Portugal, e a Associação Popular Democrática Timorense (APODETI) que propunha a integração na Indonésia. Perante este desafio, a ASDT respondeu aprofundando as suas definições e transformando-se, a 10 de Setembro de 1974, na Frente Revolucionária de Timor Leste Independente (FRETILIN). Inicia-se um período de disputa entre os interesses portugueses, as intensões indonésias de anexação e os independentistas. Em Agosto de 1975, a UDT tenta um golpe de Estado, contra o qual, a 15 do mesmo mês, a FRETILIN proclama a insurreição geral armada. As unidades do exército colonial em Timor colocam-se sob as ordens do Comité Central da Frente de Libertação, a administração portuguesa abandona o país e, já controlando todo o território, a 28 de Novembro de 1975 a FRETILIN declara a independência, criando a República Democrática de Timor Leste.
1.jpg (26755 bytes)Dez dias depois, a 7 de Dezembro de 1975, a Indonésia invade o território. Poucas horas antes o presidente norte-americano Gerald Ford tinha visitado Jacarta, onde seguramente aprovou o plano expansionista de Suharto. A FRETILIN viu-se obrigada a retirar da capital, Dili, e dos portos mais importantes, que foram submetidos a intenso bombardeamento. Manteve até meados de 1979 o controlo de 85% do território do país, onde vive mais de 90% da população, que organiza para a luta, a produção e o estudo.
bandeira.gif (7924 bytes)Entretanto, a 2 de Junho de 1976, uma chamada "Assembleia do Povo", constituida por membros da UDT e APODETI, aprovou a conversão do país em província da indonésia. Esta anexação não foi reconhecida pelo Comité de Descolonização das Nações Unidas, para o qual Portugal continuará a ser a potência administrante. A República Democrática de Timor Leste, por seu lado, mantém já relações diplomáticas com quinze países, e, em simultâneo com a luta no interior do país, desenvolve um intenso trabalho político no exterior.
     Especialmente desde 1980, a Diocese de Dili tem denunciado o genocídeo e a fome criados pela ocupação estrangeira. As homilias e declarações de Mons. Martinho Lopes, Administrador Apostólico da51.jpg (36821 bytes) Diocese, têm grande audiência interna e externa. Face à reorganização e crescente agressividadde das Falintil, o exército indonésio conduziu durante a época seca de 1981 nova operação de cerco e aniquilamento que saldou por um rotundo fracasso. 1982 caracteriza-se por uma contra-ofensiva da FRETILIN em todo o país com ocupações temporárias de várias vias. Xanana Gusmão, comandante em chefe das Falintil e Comissário político Nacional encabeça o Concelho Revolucionário da Resistência Nacional.
m.jpg (6553 bytes)A ocupação de Timor Leste consta, desde Dezembro de 1975, da agenda da Assembleia Geral da ONU com sistemáticas condenações até hoje. No entanto, os termos das moções vêm sendo atenuados à medida que aumentam as abstenções e diminuem os votos favoráveis. Portugal, caracterizado como estado administrante, deixou perder sucessivas oportunidades de intervenção enquanto a diplomacia indonésia tudo tem feito para que a questão seja apagada da agenda da Assembleia Geral da ONU e da sua Comissão de Descolonização (4ª). Apesar dessa tendência, em Agosto de 82, uma Subcomissão (de peritos) da Comissão dos Direitos Humanos (3ª) elabora uma resolução que vem a ser aprovada, embora por estreita margem, na Comissão reunida em Fevereiro de 83, garantindo a sua inclusão, agora, em duas Comissões. A intervenção de organizações católicas muito próximas do Vaticano (Pax Romana e Pax Christi) é mais um dado revelador das potencialidades de desenvolvimento que a questão contém em diversas áreas e sectores da opinião e intervenção internacional.
xanana.1gif.gif (46594 bytes)Três semanas depois, as eleições gerais dão vitória ao Partido Trabalhista Australiano que, contrariamenteTimore1.gif (7628 bytes) ao seu antecessor (Liberal) no poder, tem tomado posições pela autodeterminação e independência de Timor Leste. Simultaneamente, e enquadrando a Cimeira dos Não-Alinhados em Nova Deli, Xanana Gusmão anuncia em fins de Fevereiro uma grande ofensiva envolvendo 2500 guerrilheiros que ocupam temporariamente a diversas vilas e aldeias em todo o país.
     A revolução de 25 de Abril de 1974 que fez cair o regime em Portugal, abrindo as portas simultâneamente à democracia e à auto-determinação e independência para as suas antigas colónias. E 1974 e 1975 são criados partidos politicos em Timor. Os dois partidos mais populares eram a União Democrática Timorense (UDT) e a Frente Revolucionária para a Independência de Timor Leste (FRETILIM). Apenas a Associação Popular Democrática Timorense (APODETI) - que era financiada pela Indonésia e nunca teve mais de trezentos apoiantes - era a favor da integração na Indonésia. Em 14 de Novembro de 1974 o novo governo, chegado a Timor, inicia-se um trabalho sistamático de descolonização, preparando o território para uma auto-determinação a curto prazo.
Apesar de dificuldades e problemas, as medidas tendentes à descolonização vão-se concretizando, nomeadamente nas áreas da administração local e do ensino. Em 11 de Junho de 1975 é promulgada a lei 7/75 que previa a eleição, em Outubro do mesmo ano, de uma Assembleia Popular de Timor para definir o seu futuro estatuto politico.
As medidas tendentes a criar um clima de serenidade e moderação são muito mal vistas pelas autoridades indonésias que as criticam duramente.

A INDONÉSIA OBTÉM O APOIO AUSTRALIANO E AMERICANO PARA ABSORVER TIMOR




usa.gif (1900 bytes)Em 6 de Setembro de 1974, o general Suharto recebe o apoio da Austrália, por intermédio do primeiro-ministro australiano ind.gif (635 bytes)Gough Whitlan, para prosseguir a politica de anexação de Timor- Leste. Washington, por seu lado, apoia discretamente a Indonésia e espera que esta, ao invadir Timor-Leste, o faça com eficácia, rapidamente e que não utilize o nosso equipamento - palavras do seu diplomata em Camberra. As tropas indonésias aus.gif (2180 bytes)utilizaram armas americanas e a repressão foi ampla, prolongada e sangrenta. As razões que levaram a que os EUA e a Austrália apoiassem a invasão de Timor-Leste são no essencial:
  • Razões geostratégicas, relacionadas com a importância geográfica da Indonésia para os EUA, para a Austrália e para o mundo ocidental, em geral;
  • Interesses económicos relacionados com a enorme riqueza petrolífera do mar de Timor;
Necessidades internas do regime indonésio para dar uma lição aos movimentos autonomistas que surgiam em várias ilhas da região.Contando com o apoio expresso da Austrália e a conivência dos EUA, a Indonésia avançou com o seu plano anexionista.
Fontes:http://www3.dsi.uminho.pt / http://www.dei.uc.pt/~infopor/timor/historia.html

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